sábado, 11 de junho de 2016

FLORENÇA (VI), ITÁLIA_EUROPA

DÉCIMO QUINTO DIA - Parte VI - FLORENÇA VI


Alguns passos a mais e estávamos na Praça da República.
Localizada a poucos passos do Duomo, no coração da zona turística de pedestres e de Florença, Piazza della Repubblica é um dos maiores e mais impressionantes da cidade, mas também um dos mais históricos. Na verdade, é o lugar que substituiu o antigo gueto da cidade, removidos durante o período de reabilitação da capital florentina. O monumento central deste local é Arcone, composto por uma porta central ladeada por arcadas e arquitetura icônica do período da Renascença. Além disso, o lugar é amado pelos florentinos pela sua atmosfera, e há muitos cafés ao redor do espaço, permitindo, assim, desfrutar da atmosfera animada do lugar, e ver um pequeno pedaço da cúpula da Basílica de perto.
 
Surpreendente, aparece o contorno da Basílica de Santa Maria del Fiore ou Duomo. Quanta emoção por poder estar ali vendo essas maravilhas!
A igreja, dedicada à Santa Maria da Flor, é linda sob todos os ângulos e a cúpula, com mais de 100 metros de altura, chama a atenção não só dos leigos, devido à tamanha imponência, como também de inúmeros investigadores, arquitetos e matemáticos que, durante mais de seis séculos, investigaram a técnica utilizada por Filippo Brunelleschi para manter a estrutura gigante sem o auxílio de um suporte de madeira ou de ferro.
A cúpula fica a 55 metros do chão, tem 45 metros de diâmetro interno, 54 metros de diâmetro externo, atinge cerca de 114 metros e pesa em torno de 29.000 toneladas.
Para dificultar ainda mais o trabalho dos estudiosos, Brunelleschi, além de ter empregado técnicas diferentes na estrutura interna e externa da cúpula, criou pistas falsas durante a construção para despistar os curiosos.
Depois de trinta anos de estudo, um dos maiores mistérios da história da arquitetura foi revelado pelo professor e arquiteto italiano Massimo Ricci: é a estrutura interna da cúpula octogonal, disposta em duas camadas e de duas formas diferentes, que suporta todo o peso da construção. Os tijolos foram dispostos na diagonal com o auxílio de um sistema de cordas que permitia calcular a posição e o ângulo exato em que cada tijolo deveria ser colocado. Um sistema único e nunca mais repetido na história.
Na parte interna da cúpula, os quase 4.000 metros quadrados retratam o Juízo Final, pintado por Giorgio Vasari e Federico Zuccari entre os anos de 1572 e 1579.
A catedral de Santa Maria Del Fiore foi projetada por Arnolfo di Cambio e começou a ser construída no dia 8 de setembro de 1296. Após a morte de Arnolfo em 1310, os trabalhos prosseguiram em ritmo lento até 1331, quando um grupo de magistrados assumiu o comando das obras. Em 1334, Giotto foi contratado e iniciou o projeto do campanário, considerado o mais bonito da Itália, com mais de 84 metros de altura e 15 de largura, no entanto, o arquiteto morreu três anos mais tarde, após a conclusão da primeira parte da obra, finalizada por Francesco Talenti em 1359.
A construção da catedral estendeu-se por quase seis séculos. As naves da igreja ficaram prontas em 1380, as tribunas, em 1421. Entre os anos 1414 e 1421, foram feitos os revestimentos em mármore e a decoração das portas laterais.
A fachada original, desenhada por Arnolfo di Cambio e geralmente atribuída a Giotto, foi realmente começada vinte anos após a morte de Giotto. A primeira frente é devido ao esforço coletivo de vários artistas, incluindo Andrea Orcagna e Taddeo Gaddi, e só foi concluída em sua parte inferior, depois que foi abandonada. Em 1587-1588 pelo arquiteto da corte Médici, Bernardo Buontalenti, foi demolida por ordem do Grão-Duque Francesco I de Médici, como parecia ser popular nos tempos do Renascimento.
A concorrência para uma nova fachada terminou com um grande escândalo de corrupção. Vários projetos novos foram propostos nos últimos anos, mas os modelos não foram aceitos.
A fachada foi deixada descoberta, portanto, até o século XIX. Em 1864, uma competição foi aberta para projetar uma nova fachada e foi ganha por Emilio De Fabris (1808-1883) em 1871. O trabalho começou em 1876 e foi concluído em 1887. Esta fachada neogótica em mármore branco, verde e rosa formam uma unidade em harmonia com a catedral, a torre sineira de Giotto e o Batistério. As monumentais portas de bronze foram concluídas no começo do século XX.
Além do nome particular, a planta do Duomo de Firenze também é muito incomum. Não é uma cruz latina ou cruz grega (4 lados iguais), mas uma junção entre uma planta longitudinal típica das Basílicas Paleocristãs e de uma planta central. O mais interessante é que na região da abside (onde se encontra o altar), em planta se vê o contorno de uma flor estilizada, que retoma o nome da igreja e da cidade. 
Algo interessante de reparar no interno da catedral é a presença de representação de figuras não religiosas, como o quadro de Dante, ou os afrescos de comandantes militares. Também não há as capelas privadas de famílias importantes como ocorre em Santa Croce ou Santa Maria Novella. O Duomo de Firenze sempre foi considerado um lugar público, dos fiorentinos, e exalta seus homens ilustres. Por muitos anos as 4 portas laterais da igreja eram abertas para a livre passagem de pessoas que gostariam simplesmente de atravessar a praça.





Depois de entrar na Basílica e apreciar os detalhes de arte e de beleza, rezei e sentei para descansar num dos bancos laterais. Juntaram-se a mim, algumas das parceiras de viagem. O dia tinha sido pleno de descobrimentos e de encantamentos. Estávamos cansadas, mas muito satisfeitas.

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