sábado, 11 de junho de 2016

FLORENÇA (IV), ITÁLIA_EUROPA

DÉCIMO QUINTO DIA - Parte IV - FLORENÇA IV

Bem defronte ao meu olhar ávido provocado por tantas maravilhas se encontrava o maior núcleo de estátuas sob a proteção da chamada Loggia dei Lanzi, ou Loggia della Signoria. Ela foi construída no século XIV em estilo tardo-gótico por Benci di Cione e Simone Talenti com a função de abrigar a assembleia e comemorações públicas. Somente no século XVI, com o Grão-duque Cosimo I foi que ela começou a ser decorada com as estátuas. 

Extasiada vi: Perseu com Cabeça de Medusa. Esta é sem dúvida a mais famosa delas, aquela que todos nós já vimos em livros da escola! Um dos motivos dela ser tão famosa assim é pela dificuldade de execução e grande resultado estético, graças ao conhecimento técnico de Benvenuto Cellini, o seu autor. A estátua levou quase 10 anos para ser realizada.
Perseu é o filho do deus Zeus e da humana Danae que consegue vencer a Medusa, monstro mitológico com serpentes no lugar dos cabelos que transformava em pedra quem a olhasse nos olhos.
O Rapto das Sabinas, a gigante estátua que impressiona pela composição em espiral de corpos esculpidos em mármore que parecem macios como a carne humana. Giambologna demostrou o quanto era bom escultor tirando pela primeira vez de um único bloco de mármore, três figuras. O nome se refere a um episódio da fundação de Roma, quando Rômulo e os romanos tiveram a necessidade de mulheres para procriar. Organizaram os jogos solenes da Consualia e convidaram o povo vizinho dos Sabinos. Durante o espetáculo, os romanos raptaram todas as mulheres solteiras.
Hércules e o Centauro Nesso, também obra de Giambologna, datada 1599. O Centauro Nesso foi o responsável pela morte terrena do famoso herói grego. No entanto, a cena que vi mostra como Hércules o matou quando Nesso tentou abusar de sua segunda esposa, Deianira. Nesso, antes de morrer, disse a Deianira para recolher o seu sangue, o que faria com que Hércules fosse sempre apaixonado por ela. Ingênua, seguiu o que Nesso disse e tingiu uma roupa de Hércules com o sangue de Nesso, que na verdade estava envenenado. Quando Hércules o vestiu, sentiu sua pele arder e de tanta dor, acendeu uma fogueira para se matar queimado.
Menelao e Patroclo. Esta é uma escultura original grega encontrada em Roma no século XVI e doada pelo Papa Pio V aos Médicis. Representa uma cena da Guerra de Troia. Patroclo, o melhor amigo de Aquiles, que é morto em batalha por Ettore e tem seu corpo morto carregado por Menelao.
Rapto de Polissena. Embora o tema seja mitológico, esta é a única estátua moderna da Piazza della Signoria, realizada por Pio Fedi em 1866. O jovem com braço erguido é Pirro que rapta Polissena (entre seus braços), irmã mais nova de Polidoro (deitado morto) e filha de Priamo e Ecuba, que está para ser morta pelo golpe de Pirro. Polissena estava sendo levada para ser sacrificada em nome dos deuses para que a viagem dos gregos de retorno da Guerra de Troia fosse segura.
Sabinas. Na parede de fundo estão seis estátuas antigas de mulheres, apelidadas de Sabinas, provenientes do Fórum de Trajano em Roma, descobertas na metade do século XVI.

Dali, seguimos à esquerda para vislumbrar a fantástica Galleria Ufizzi. Infelizmente, visitar o Museu requereria muito tempo e como não dispúnhamos disso, ficou para a próxima viagem. Que Deus queira que se concretize.
Corridoio Vasariano (Corredor Vasariano). Coberto de mistério desde o Renascimento, as visitas pré-agendadas ao corredor que liga o Palazzo Vecchio ao Palazzo Pitti, passando sobre a Ponte Vecchio, revelam uma uma galeria de arte que expõe auto-retratos de grandes pintores italianos e uma vista seletiva da cidade.Giorgio Vasari foi um pintor e arquiteto italiano conhecido principalmente por suas biografias de artistas italianos, e cuja obra arquitetônica mais famosa é o corredor que leva seu nome.
Em 1565, para a comemoração do casamento de Francesco I com Giovanna da Austria, filha do Imperador Ferdinando I d'Asburgo, seu pai, o Duque Cosimo I de Medici, resolveu impressionar os convidados e redecorar a cidade, encomendando a Vasari o seu projeto mais cenográfico, que deveria ser construído em tempo recorde de menos de seis meses: o Corredor Vasariano.
O projeto era composto de uma "via aérea” estreita de cerca de 1 km que ligava o Palazzo Vecchio à residência da família Medici no Palazzo Pitti, passando pela Galeria Degli Ufizzi, por cima da Ponte Vecchio sobre o Rio Arno e por uma passarela coberta sobre a rua.Para a construção do corredor, foi necessário passar por algumas das casas-torre que estavam ao longo do caminho, o que foi autorizado por todos os proprietários de edifícios, com exceção da família Marinelli, o que obrigou Vasari a "contornar" o obstáculo desviando o caminho do corredor, passando-o em torno da Torre.
Pelo menos nos primeiros 200 anos, o Corredor Vasari foi usado exclusivamente co​mo uma passagem entre as residências, oferecendo inicialmente uma fuga rápida em caso de urgências.
Mais do que isso, permitia também uma passagem livre para que a familia Medici se locomovesse com segurança, sem a necessidade de guardas armados e longe do povo e da sujeira das ruas, principalmente dos açougues que na época ocupavam a Ponte Vecchio onde as atuais joalherias hoje estão lá instaladas.
Mais tarde, o Corredor Vasariano passou a pertencer ao Polo Museale Fiorentino, abrigando uma grande coleção de quadros de autores das escolas italiana dos séculos XVI e XVII e, principalmente, de autorretratos dos famosos pintores, entre eles Giorgio Vasari, Carlos Dolci, Tintoretta, Pietro da Cortona, Luca Giordano, Rubens, Rembrandt, Velàsquez, Francesco Hayez e o brasileiro Pedro Américo, entre muitos outros.
Durante a Segunda Guerra Mundial, por causa do bombardeio, o Corredor sofreu grandes danos, tais como a perda de um belíssimo banheiro decorado com afrescos e mármore e a conexão final da passagem com a margem esquerda do Arno, reconstruída posteriormente.
Hoje, a entrada para a passagem está localizada no primeiro andar da Galeria Uffizi, atrás de uma porta quase escondida, ignorada pela maior parte dos turistas que visita o museu.
De lá, se tem acesso a um ambiente calmo e um tanto misterioso, diferente do da galeria, cuja magia parece ser interrompida alguns passos depois devido às “cicatrizes” que ainda se vê resultantes da explosão de um carro bomba em 1993 que danificou seriamente o edifício.
Galeria UFIZZI

Neste museu se encontra grande parte da cultura mundial dado que alberga as obras mais famosas dos escultores e artistas italianos, como é o caso de Botticeli, Michelangelo, Da Vinci, Ticiano ou Giotto, reunidas num impressionante acervo que transformou o espaço numa das galerias mais importantes da Europa e mais prestigiadas da Itália.

Valeu, no entanto, admirar e observar a arte do exterior do edifício cuja fachada encontra-se repleta de estátuas, culminando num pórtico que nos encaminhou em direção ao rio Arno.

 
 

Próxima descoberta: Ponte Vecchio

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