SEXTO DIA - Parte III - CAMINHADA - PARIS (V)
Primeira parada: Hotel De Ville, que abriga as instituições do governo municipal de Paris. O edifício fica na Praça do Município no 4 arrondissement. Tem sido o prédio da sede municipal desde 1357.
Segunda parada: Catedral de Notre Dame. Obra prima da arquitetura gótica francesa, Notre-Dame é o lugar mais visitado em Paris. Ponto central da vida religiosa, cultural, histórica e mesmo geográfica do país. As distâncias de cada cidade francesa são medidas a partir da Place du Parvis Notre-Dame, por onde Carlos Magno, imperador dos francos, conduziu seu cavalo. Uma estrela de bronze indica o Point Zéro das Routes de France.
Construída na Idade Média, sua estrutura tinha como ideal ser a mais alta já erguida em todo o mundo. Ela sobreviveu a mais de 850 anos de guerras, invasões e revoluções. Por muito tempo foi deixada de lado pelos franceses, mas foi completamente reformada após o enorme sucesso da obra prima de Victor Hugo: o Corcunda de Notre Dame. O romance lançado em 1831, que conta a história de Quasímodo e seu amor pela cigana Esmeralda, deu uma nova vida à catedral. Como não podia deixar de ser Notre-Dame esteve presente em diversos momentos importantes da história francesa, como a coroação do Imperador Napoleão Bonaparte em 1804 e a beatificação de Joana d’Arc em 1909.
Uma das maiores atrações dessa enorme catedral é sua arquitetura: é difícil de imaginar como, em plena Idade Média, um edifício de seu porte tenha sido tão bem projetado. A fachada principal é composta por três incríveis portais, com imagens diversas trabalhadas nas pedras. Elas retratam cenas da vida da Virgem Maria e de seus pais, de Jesus Cristo e diversas outras personagens bíblicas. O Portal de Santa Ana, considerado o principal, foi feito no início da construção da catedral, enquanto o Portal da Virgem foi edificado na época em que as obras chegavam ao fim. O terceiro, denominado Portal do Julgamento, é o mais novo de todos: ele é datado do século XVIII, quando começaram algumas das obras de revitalização do local. Ao centro o destaque fica com a Rosácea Oeste, em homenagem à Virgem Maria. A Galeria dos Reis (de Judá) com 28 estátuas sobre os pórticos correspondem aos 28 antepassados de Jesus citados no evangelho de São Mateus, desde Jessé, o pai do rei Davi, até José.
O interior da Catedral de Notre-Dame é monumental, e é onde a religião e a arte unem-se para encantar os visitantes. Além dos rebuscados elementos góticos, ainda é possível ver diversas esculturas, pinturas e medalhões. Os vitrais também chamam a atenção: são quase duzentos deles, inclusive alguns dos maiores já feitos na história. É no centro da catedral que se situa uma das principais obras: uma encantadora Virgem Maria, rodeada por medalhões que representam personagens do antigo testamento e algumas outras personalidades historicamente importantes. Dentre eles, estão alguns dos principais profetas, reis e clérigos, que contribuíram para a propagação do cristianismo.
Ao entrar na Catedral, mais uma vez, não pude conter a emoção. O interior é imenso e deslumbrante. As abóbodas refletem a luz permeada através das rosáceas e dos vitrais, que são um espetáculo a parte, apesar de estarem costurados como veias nas paredes seculares. Rezei com muito fervor, agradecendo a benção de estar ali naquele santuário.
Logo na entrada podemos ver a nave central e sua abóbada sobre o transepto, altar e coro. Após visitar a nave central, podemos caminhar pelos corredores laterais que dão a volta pela Catedral. Nesta área temos várias pequenas capelas e temos como destaques: a Rosácea Sul com uma imagem de Cristo no centro, La Pietá de Nicolas Coustou (atrás do principal altar), uma estátua de Joana D’Arc e o Anteparo do Altar, esculpido em pedra no século 14, que mostra passagens bíblicas com uma grande riqueza de cores e detalhes.
A catedral de Notre Dame de Paris possui uma das mais importantes relíquias da cristandade: os fragmentos da Coroa de espinhos com a qual Cristo foi coroado pelos soldados romanos. A história desta relíquia remonta aos evangelhos de São João, na passagem onde ele relata a coroação de Cristo. A veneração desta lembrança da Paixão de Cristo é mencionada a partir do século IV pelos peregrinos que visitavam Jerusalém. Mais tarde a relíquia foi transferida para Constantinopla e guardada na capela dos imperadores bizantinos. Em 1238, Louis IX, rei da França, compra do imperador de Bizâncio a coroa de espinhos. Um ano depois ela chega a Paris e será guardada na Notre Dame. Desde 1896 ela está conservada dentro de um tubo de cristal e de ouro. São ali preservados, também um pedaço da Cruz e um prego da Paixão.
Infelizmente, a fila para ver as relíquias estava imensa, impossibilitando que eu pudesse entrar. Na próxima vez que for a Paris, conseguirei!
Os sinos da Notre Dame são famosos. Durante a revolução francesa, quase todos eles foram fundidos. O único sobrevivente foi o famoso sino Emmanuel. Emmanuel pesa 13 toneladas e não toca todos os dias. Desde 1685 seu som anuncia a chegada de datas importantes para os cristãos e também os maiores eventos que caracterizaram nossa história, como por exemplo, o fim das duas guerras mundiais.
O livro que comprei na Catedral de Notre Dame muito me serve para redigir esse relato. Adquiri, também, na Catedral, uma moeda dourada com sua esfinge.
















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