quinta-feira, 26 de maio de 2016

BRUGGE, BÉLGICA_EUROPA

NONO DIA - Parte II - BRUGGE



A cidade de Brugge é algo de cativante. Ruas estreitas rodeadas por prédios de cor pastel, inclusive a rua principal que nos conduziu até a Market Square, passando pela Catedral São Salvador.





No entorno da Praça do Mercado estão: a Belfort Tower, o Teatro, a Prefeitura, os Correios e inúmeros restaurantes, no lado norte.
Até parece que os relógios pararam de marcar o tempo em Brugges. Seu charme se mantém intacto como se estivéssemos passeando pela Bélgica de alguns séculos atrás. Uma majestosa praça central iluminada por grandes candelabros, carruagens indo e vindo, ruelas estreitas com calçamento de pedras e canais bucólicos emolduram essa cidade medieval, romântica por natureza. Linda, como num conto de fadas. Tanto que seu centro histórico foi merecidamente tombado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 2000 e logo depois, em 2002 ganhou o título de Capital Europeia da Cultura.
Brugges chegou a ser uma das principais economias da Europa, entre os séculos XII e XV. A cidade era repleta de comerciantes vindos dos quatro cantos do mundo. Até que o rio, que ligava a cidade ao mar, foi assoreado e os navios ficaram sem acesso. Nisso, a cidade viveu um período como "A Bela Adormecida". E só acordou depois de 400 anos pronta para brilhar mais do que nunca e receber uma leva de turistas.
A praça central - Markt - é o coração de Brugges e ainda preserva boa parte de seu traçado original. Antigamente, o local era chamado de fórum. E, presenciou muitas cenas da história do povo belga, desde festas populares a batalhas. Cada lado da praça é cheio de prédios em diferentes estilos, construídos ao longo de vários séculos. De um lado o Palácio Provincial e o antigo correio ocupam edificações neogóticas.
A estátua de Jan Breidel e Piet de Konink foi feita em 1887, em bronze e pedra para enaltecer os heróis da revolução de 1302 numa batalha contra o rei da França na qual os belgas triunfaram.
O Campanário de Brugges, ou Torre Belford, foi feito em etapas. Inicialmente, no século XIV foram construídos o campanário e o corpo do prédio, como um complexo formado por duas partes. Alguns anos depois, um terceiro pavimento, de 80 metros, foi feito em pedras para ser usado como observatório para evitar que algum incêndio destruísse a cidade, coisa comum naquela época.
Na outra calçada, tem uma sequência de casinhas coloridas de quatro andares que até parecem de brinquedo. Atualmente, ali funcionam restaurantes e cafés. A arquitetura se mantém intacta com os frontões em degraus.
 Almocei num dos restaurantes, cuja comida foi excelente.
A guia Pilar mencionara que na Castle Square está a Basílica do Sangue Sagrado com a relíquia de um pedaço de tecido contendo o sangue de Cristo. E logo após o almoço, corri para lá a fim de visitar a Basílica. Andei um quarteirão e cheguei a Burg que é uma praça com um conjunto arquitetônico fantástico. O prédio maior é o da prefeitura - Stadhuis - e foi feito no auge de Brugges. A prefeitura foi construída em estilo gótico flamejante, entre 1376 e 1420 e mostra o poder que Bruges ostentava na Idade Média. Ao lado da prefeitura, a Velha Casa dos Arquivistas dá os ares da Renascença. Foi feita em 1534.
Num canto da praça está quase imperceptível o santuário do Santo Sangue.
     
A Basílica do Santo Sangue surpreende! Duas igrejas numa só. 
Uma sombria e despida de grandes decorações, a outra dourada e rica em decoração e a guardiã de uma preciosidade do mundo cristão.
Segui a fila de peregrinos, padres, turistas, subindo uma escadaria de madeira em absoluto silêncio.

Enquanto subia, eu ouvia repetidamente uma frase da Bíblia: -“A tua Fé te salvou!”. E guardava na minha alma.
Quando entrei no recinto da capela e percebi o que estava prestes a ver, me emocionei profundamente. Lágrimas quentes rolavam dos meus olhos.
A reverência e a postura dos peregrinos me comoveram.
Num pequeno altar, numa armação de madeira, um êmbolo de cristal com as extremidades douradas contendo um pedaço de pano.
O frasco contém um pedaço de tecido com que José de Arimateia limpou o sangue do corpo de Cristo, que ele ajudou a tirar da cruz. A relíquia permaneceu na Terra Santa até a Segunda Cruzada, quando o Rei de Jerusalém, Balduíno III deu a seu cunhado conde de Flandres, Diederik Van de Elzas. A relíquia chegou com ele em Brugge, a 07 de abril de 1150 e foi colocada em uma capela que ele havia construído na Praça Burg.
Um a um se aproximavam da relíquia, ajoelhavam em veneração e rezavam.


Quando chegou a minha vez, a impressão que tive foi de que meu coração ia pular do peito.
Ajoelhei, rezei e beijei o êmbolo. (O padre que estava sentado atrás do altar tinha o cuidado de limpar com álcool a cada toque).

Os instantes que vivi nessa capela ao me ajoelhar frente a um dos milagres eucarísticos foi tamanha, que lágrimas rolavam pela alma. “A tua Fé te salvou”! Recebi cada momento ali partilhado como benção e misericórdia. Assim é a Fé, não é palpável, material, física, é algo muito maior, intocável, que se encontra no espírito daquele que crê! Amém!
Desci os degraus do pequeno altar e me uni aos peregrinos que rezavam cada um em sua própria língua. Lindo demais!
Sai da Basílica renovada, louvando muito pela graça recebida.
Encontrei no quarteirão seguinte, lojas com artigos de NATAL! Eu não sabia o que olhar de tanta informação para os meus olhos de "JINGLE BELLS".
Fui para o ponto marcado de encontro com os outros viajantes defronte a Belford Tower, depois de dar algumas caminhadas pelas pequenas ruas de Brugge e de comprar souvenirs e um livro sobre a cidade.
Juntos, saímos todos caminhando para um passeio panorâmico pelos bucólicos canais da cidade e seus belos recantos.
Fotos em profusão para marcar cada detalhe e poder recordar a qualquer tempo.
Fomos até a frente da Igreja de Nossa Senhora, que, infelizmente, estava fechada. Num pedestal tem uma imagem de Maria com o Menino Jesus, mas é dentro da igreja que está a imagem de Nossa Senhora com Jesus esculpida por Miguel Ângelo.

Passamos por um canal onde cisnes belíssimos singravam as águas com a peculiar graça. Lembrei-me do ballet “Lago dos Cisnes”. E fotografei-os, é claro!
Chegamos ao Mosteiro das Beguinas, que hoje abriga a ordem das Beneditinas. As Beguinas eram mulheres leigas católicas que praticavam uma vida ascética em comum, parecida com a monacal, a maior parte das vezes nos chamados Beguinários, na área atual da Bélgica. As Beguinas se dedicavam ao cuidado dos doentes e dos pobres, assim como às tarefas caritativas e piedosas, sem estar, contudo, vinculadas a regras de clausura nem a votos públicos.
Caminhei em silêncio, atravessando o jardim e passando pelas casas brancas e simples.
Logo adiante, surgiu o Lago do Amor. Que beleza de lugar. Parecia que eu estava num Conto de Fadas.
Reza a lenda que o Lago do Amor tem esse nome porque o marinheiro que vivia por lá escolheu um pretendente para a sua filha, Minna, mas ela, por sua vez, era apaixonada por outro homem, que teve que partir quando iniciou a guerra com os Romanos. Antes de sua partida, eles juraram amor eterno!
Por algum tempo ela conseguiu convencer o pai que o casamento com o noivo escolhido não daria certo, mas chegou um momento que ele não aceitou mais essa desculpa e a obrigou a casar. Dividida entre a sua promessa ao amante e a vontade de seu pai, ela resolveu fugir para nunca mais voltar. Ao final da guerra, quando o seu amante retornou a cidade, ele descobriu que ela não estava mais lá e começou a uma busca árdua pela amada. Ao reencontrá-la, ela estava tão exausta de sua peregrinação que acabou morrendo em seus braços.
Apesar da triste lenda, o lugar é de uma beleza indescritível. Se eu tivesse talento para pintar uma tela, seria ali que me inspiraria pra reproduzir o que vi. Aliás, nada melhor do que terminar o dia maravilhoso com a visão do Lago do Amor.
Brugge é uma cidade cheia de charme. De um charme que é só dela e do qual nunca mais esquecerei.
Antes de chegarmos ao ônibus passamos por um parque com relva, arbustos e árvores de um verde que me lembrou do Brasil.
Feita a conferência dos passageiros, se descobriu que faltava alguém. A guia Eliane voltou no caminho para procurar. E seguiria depois de táxi para o hotel para não atrasar o grupo.
O hotel Velotel – Room 133 era aconchegante e confortável.
Estava cansada, mas sabia que a noite de sono seria na medida certa para poder desfrutar o dia seguinte. Fiz o mesmo ritual* de todas as noites e mergulhei na cama.

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